Neste post você encontra, com atualização em tempo real, a lista de seleções classificadas para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, bem como o resumo da campanha e histórico das participações no Mundial. Salve o post nos favoritos para acompanhar sempre que uma nova seleção garantir vaga.

Brasil Brasil

Como se classificou: Vaga automática por ser o país-sede.
Participações anteriores: 19 – 1930, 1934, 1938, 1950, 1954, 1958, 1962, 1966, 1970, 1974, 1978, 1982, 1986, 1990, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010.
Melhor resultado: campeão em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.

Japão Japão

Data da classificação: 4 de junho
Como se classificou: Entrou direto na terceira fase e se classificou em segundo na chave. Na quarta fase, tornou-se a primeira seleção ao ganhar vaga em campo ao empatar com a Austrália por 1 a 1.
Participações anteriores: 4 – 1998, 2002, 2006 e 2010.
Melhor resultado: Oitavas de final em 2002 e 2010.

Austrália Austrália

Data da classificação: 18 de junho
Como se classificou: Entrou na terceira fase e liderou grupo com Omã, Arábia Saudita e Tailândia. Na última fase avançou ao Mundial ao lado da Coreia do Sul.
Participações anteriores: 3 – 1974, 2006 e 2010.
Melhor resultado: Oitavas de final em 2006.

Coreia do Sul Coreia do Sul

Data da classificação: 18 de junho
Como se classificou: Também começou na 3ª fase e chegou facilmente à fase decisiva. Foi aí que suou para chegar ao sétimo Mundial seguido. Ficou em segundo na chave e superou o Uzbequistão, terceiro colocado no grupo, apenas no saldo de gols.
Participações anteriores: 8 – 1954, 1986, 1990, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010.
Melhor resultado: Quarto lugar em 2002.

Irã Irã

Data da classificação: 18 de junho
Como se classificou: Com uma forte defesa, fez uma campanha sem sustos para voltar a uma Copa do Mundo depois da ausência em 2010. Passou por Maldivas na segunda fase e liderou seus grupos na terceira e quarta etapas. Sofreu apenas sete gols nas 16 partidas disputadas.
Participações anteriores: 3 – 1978, 1998 e 2006.
Melhor resultado: Nunca passou da primeira fase.

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“Disse a ele simplesmente que todo mundo já viu seus músculos e que deve parar de tirar a camisa”. Foi assim que Cesare Prandelli, técnico da seleção italiana, comentou o gol de Mario Balotelli na vitória contra o México na estreia da Copa das Confederações. Essa foi só a mais nova polêmica do atacante nascido em Palermo, filho de dois imigrantes ganeses.

Balotelli é um dos grandes nomes do futebol mundial. Muito por conta dos absurdos que já protagonizou em sua carreira, como atirar dardos em um jogador das categorias de base do Manchester City ou colocar fogo em sua própria casa após soltar fogos de artifícios dentro do banheiro. Mas é a mesma pessoa que já se vestiu de Papai Noel azul e distribuiu dinheiro pelas ruas de Manchester, ou que manda parte do seu gordo às crianças pobres de África.

Mario parece ser uma mistura de ingenuidade, talento e narcisismo. Uma combinação perfeita para criar um novo ídolo. Ontem, a camisa com seu nome era a mais ostentada pelos torcedores italianos que foram ao Maracanã. Balotelli é o retrato do anti-herói que faz as pessoas sorrirem simplesmente por fugir constantemente do óbvio.

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É muito mais do que irreverência. Balotelli é um ser capaz de abandonar o campo ao perceber que um cântico racista o atinge de forma mais cruel do que o zagueiro adversário. Um sinal claro de que ser penalizado pelos clubes ou pela própria seleção por seus atos estúpidos não significa aceitar que o desrespeitem por ser negro.

Sim, ele encomendou a um artista italiano uma estátua de si mesmo para imortalizar a sua já famosa comemoração. Sim, ele continuará a exibir moicanos que despertem a atenção de todos os jovens que seguem os seus passos. Sim, ele entrará em novos confrontos com companheiros e técnicos. E parece estar pronto para ser um dos protagonistas da Copa de 2014.

“Não tirarei mais a camisa, juro”, disse o jogador aos repórteres na saída do Maracanã. Uma promessa superficial vinda de alguém que repele qualquer previsibilidade. O futebol precisa cada vez mais de grandes personagens em campo. Balotelli parece ser o cara certo para atingir esse fim.

 

Crédito imagem: http://www.mariobalotelli.it/

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Se alguém esperava ver um grande confronto entre o campeão da Europa e o campeão da América do Sul… Ficou na vontade.

O confronto entre Espanha e Uruguai, neste domingo, pode ser melhor caracterizado como um passeio da principal favorita ao título em 2014 sobre uma equipe que está se desmanchando e corre o risco de nem se classificar para a Copa do Mundo.

Com seu jogo de técnica, paciência e muita posse de bola, o time de Vicente Del Bosque fez o que quis. Abriu dois a zero no primeiro tempo e criou chances claras, que poderiam ter facilmente resultado numa goleada. Se o placar não acabou mais elástico, foi porque os favoritos tiraram o pé do acelerador sem nenhum pudor.

Na segunda etapa, vendo diante de si um Uruguai praticamente entregue, a Espanha apenas administrou a vantagem, e evitou correr grandes riscos. Nem o gol de falta de Suárez, absolutamente casual, chegou a assustar.

Com uma posse de bola que girou quase o tempo todo perto de 80%, a equipe de Xavi e Iniesta não saiu do campo de ataque e desnorteou o adversário, incapaz de acertar dois passes consecutivos contra a marcação por pressão incessante dos campeões do mundo.

Faltando 15 minutos para o apito final, a torcida já começava a ficar entediada com o desnível técnico e a falta de interesse dos europeus em ampliar o marcador, algo que seria mais natural e esperado no próximo confronto da Fúria, contra o inexpressivo Taiti. E aí, como resultado, o público deixou a peleja em curso de lado e começou a entoar os cânticos dos grandes times de Pernambuco.

Esse abismo entre o campeão europeu e o campeão da América do Sul só mostra como a Copa das Confederações está longe, muito longe de ser um termômetro para o Mundial. A lista de seleções presentes reflete uma fotografia de um ano atrás, no caso da Europa, e de quase dois anos atrás, no caso da América do Sul. Tempo suficiente para as seleções ganharem confiança ou rumarem ladeira abaixo, o que faz com que não necessariamente os participantes sejam as equipes mais competitivas de cada continente. Não à toa, duas grandes favoritas em 2014, Argentina e Alemanha, estão de fora da Copa das Confederações.

No caso do Brasil, a competição iniciada no fim de semana é fundamental para testar seus nervos, seus atletas e as bases da estrutura da Copa. Para Itália e México, é mais um teste interessante. Para a Espanha, invicta há 23 jogos e com o time definido e tinindo, não mais do que um treino de luxo.

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O Brasil fez um jogo seguro e consistente na vitória contra os japoneses por 3×0, na estreia da Copa das Confederações. Bonitos gols marcados neste sábado por Neymar, Paulinho (o melhor da partida) e Jô garantiram o placar contra uma seleção que, muitos garantem, é a melhor da história do país. Ainda assim, continua fraca como caldo de bila, diriam os cearenses.

As lições das jogadas coletivas nos dois primeiros tentos marcados e no passe de Oscar para o terceiro gol do atacante do Atlético-MG são perenes porque esse time só vai chegar pronto para a Copa do Mundo se souber atuar desta forma. É fundamental. O compromisso apareceu em campo já que para dar espetáculo o caminho é bem mais longo e até desnecessário neste momento. Os jogadores entenderam a importância deste início de preparação para 2014. Atuaram de forma séria, não inventaram, se ajudaram.

A lição mais importante do jogo, porém, foi dada antes da bola rolar e também foi coletiva. O presidente da Fifa, Joseph Blatter e a presidente Dilma Rousseff foram muito vaiados. Vaias claras, enormes e legítimas, não importa quem lá estavam, e que aumentaram ainda mais depois do constrangedor e sem cabimento pedido do suiço por educação, como se a manifestação espontânea fosse fruto de agressividade gratuita, quando há uma série de motivos coerentes para tanto (cada um que escolha o seu, desde a falta de paciência com discursos, até problemas muito mais sérios que o país carrega).

Para Blatter e para a entidade que manda no futebol mundial um grupo grande de pessoas mostrar descontentamento num estádio de futebol (quanta ironia) é ofensivo, quando é justamente o contrário. O absurdo é se omitir, é não pensar (e mudar de ideia, se for o caso), é engolir a falta de transparência e seguir regras impostas numa cartilha escrita por mãos que só enxergam seus interesses.

Na quarta-feira Fortaleza e a Arena Castelão recebem Brasil e México. Aprenderemos outras lições?

Paulinho, de novo, teve grande destaque. Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Paulinho, de novo, teve grande destaque. Foto: Rafael Ribeiro/CBF

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O ex-meia e atual comentarista Neto gerou profunda irritação por parte da CBF ao xingar a seleção brasileira em seu programa diário na TV Bandeirantes.

Explica-se: um repórter cobria ao vivo uma coletiva da seleção quando Neto, no estúdio, sem saber que o microfone estava ligado cravou: “Vai tomar no c…, seleção. Vou falar do Palmeiras, velho”

Foi o suficiente para a CBF perder tempo redigindo um comunicado repudiando a atitude do ex-jogador, que mais tarde se desculpou.

Tal descuido do ex-craque veio bem a calhar. É oportuno discutir o direito de livre posicionamento da torcida e da mídia independente às vésperas da Copa das Confederações e, principalmente, da Copa do Mundo.

Longe de mim a surrada tese de que o futebol aliena, é o ópio do povo, e que por isso deve ser ignorado. Bobagem! Mas ignorar estas Copas ou até mesmo torcer por uma outra seleção não torna ninguém melhor ou pior brasileiro.

Recentemente, ouvi no rádio Pelé fazer um apelo para que a torcida não vaie a seleção, mesmo que ela jogue mal. Espero que poucos atendam o Rei do Futebol (e dos compromissos publicitários). Se o time de Felipão patinar em campo, pode ser vaiado aqui no Brasil, claro que sim.

Poucas coisas são mais deprimentes do que uma torcida com cabresto, robotizada e ensaiada de acordo com interesses comerciais – como é comum vermos no vôlei de praia, por exemplo.

Sabemos, felizmente, que no futebol não é assim. E não pode vir a ser. Jogou bem, mostrou vontade? Que se aplauda e torça. Jogou mal, entediou? Que se vaie ou ignore, dentro dos limites da civilidade.

Neto estava apresentando um programa especial sobre os 20 anos da conquista do Palmeiras no Paulistão de 1993, que marcou o fim do jejum de títulos alviverde. Muito provavelmente tal tema gerou mais audiência do que a seleção. Mesmo sem ser palmeirense, eu prefiro rever o gol do Evair do que ouvir uma pasteurizada entrevista coletiva do Fred.

Contra esses fatos, não há comunicado da CBF que funcione. A seleção, mesmo com esses grandes eventos no Brasil, segue estranha aos olhos da torcida. E não é no cabresto que isso vai mudar.

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Foto: Hernanes autografa camisa do São Paulo após treino para a Copa das Confederações.
Crédito: Rafael Ribeiro/CBF

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Obama: Quem é Murtosa?

Assessor: Não faço a mínima ideia, presidente.

Obama: O Felipão não escreve um e-mail sem citá-lo.

Assessor: Deve ser alguma gíria brasileira que nos escapou.

Obama: Anota aí na planilha para investigar melhor. Pode ser uma ameaça.

Assessor: Anotado, presidente.

Obama: Você viu a mensagem que o Felipão mandou para o François Hollande?

Assessor: Vi, presidente. Só tinha um “CHUPA” no corpo do e-mail.

Obama: Pesquisa isso urgente. Pode ser a sigla de um grupo terrorista, ou de uma nova Farc.

Assessor: Mas as Farc são da Colômbia, presidente.

Obama: É tudo a mesma coisa. Brasil, Colômbia, Venezuela, Buenos Aires.

Assessor: Correto, presidente.

Obama: Aproveita e imprime esses últimos 5 e-mails. Aparece sempre esse nome: Jó.

Assessor: É Jô, presidente.

Obama: Imprime logo. Jô, Jó. Na dúvida, investiga se não tem relação com o Iraque.

Assessor: Sem problemas, presidente.

Obama: Esse José Maria Marin é aquele que usa uns óculos escuros engraçados?

Assessor: Ele mesmo, presidente. Está sendo investigado pela FIFA.

Obama: FIFA? Que nome engraçado.

Assessor: É a entidade máxima do futebol, presidente.

Obama: Maior que a NFL?

Assessor: São esportes diferentes, presidente.

Obama: Não é o NOSSO futebol?

Assessor: Não, presidente.

Obama: Então ignore esse e-mail.

Assessor: Ignorado, presidente.

Obama: A próxima Copa do Mundo é no Brasil?

Assessor: Sim, presidente.

Obama: E o que são esses números estratosféricos?

Assessor: São planilhas de custos apresentadas pelas construtoras dos estádios, presidente.

Obama: Impressionante. Com essa grana dava para construir o nosso oleoduto.

Assessor: Verdade, presidente.

Obama: O que mais tem aí?

Assessor: Alguns e-mails de um tal de Neymar.

Obama: Neymar?

Assessor: Parece que é o jogador brasileiro do momento.

Obama: Qual a média de touchdowns por temporada?

Assessor: Acho que é o outro futebol novamente, presidente.

Obama: Próximo.

Assessor: Perfeitamente, presidente.

Obama: Preciso levar o Bo para fazer cocô. Vamos fechar por hoje.

Assessor: Só olhe mais esse sobre a sua mesa, presidente. Parece ser importante.

Obama: Caxirola? Que merda é essa?

Assessor: Ainda não descobri, presidente. Mas há indícios de que seja uma arma de destruição em massa.

Obama: O quê?? Quais indícios?

Assessor: Parece que é um objeto pequeno, mas que pode causar um efeito ensurdecedor em multidões.

Obama: Liga para o Pentágono agora.

Assessor: É pra já, presidente. É pra já…

Esta é uma obra de ficção, mas qualquer semelhança com os métodos de espionagem talvez não seja uma mera coincidência. Imagem: Flickr White House

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A Playboy vai acabar. É o que andam dizendo por aí. O Marcelo Rubens Paiva e o Beto Silva escreveram a respeito, assim como tantos blogueiros anônimos – eu vou ser mais um deles.

Já escrevi sobre o tema antes. Há dois anos, escrevi no Malvadezas sobre a Kátia, a primeira, mas nem de longe a favorita. Lídia Brondi (versão 1988), Luciana Vendramini (teenager edition) e Vanusa Spindler (os fortes lembrarão) são clássicos de uma coleção que nunca tive. Não colecionei Playboy.

E agora ela vai acabar, é o que dizem. A Abril passa por uma reestruturação gigantesca, tem um gerente de banco mandando na coisa toda, e parece que a revista dá prejuízo. Punheta hoje é coisa de internet. Acabou a piada das páginas da Playboy coladas. Até um preguiçoso acha um bom par de peitos sem procurar muito. É só clicar em pesquisar no Google Imagens (não faça na frente do chefe).

Playboy Lídia e VanusaTalvez não acabe, mas acabou a graça, o glamour, o “eu comprei por causa da entrevista”. Playboy hoje é território de panicats, assistentes de palco e estrelas (?) de reality show. Se a revista acabar, é crise no BBB. As mulheres realmente desejadas não querem ficar peladas pra gente. Se a Playboy sobreviver, será como um zumbi. Como tem sido há anos.

Um país que não tem Playboy é um país sem identificação. Talvez o risco de investimento no Brasil aumente por causa disso. Se nem as playmates movimentam dinheiro, nada mais o fará.

E, se acabar, deixará saudade de muita coisa. Mas não deixará um grande ensaio com atleta na memória de ninguém. A Hortência é a mais famosa. Famosa, eu disse. Ida. Marta. Vanessa Menga. Bel (quem lembra?). A Playboy, se acabar mesmo, terá jogado 35 anos sem conseguir seu golaço. Não no esporte. Mas viverá para sempre em nossos, hum, corações.

Atualização No fim da tarde desta terça (11), a Playboy afirmou que a publicação não será encerrada. É uma ótima notícia. Mas, para isso, fez uma tentativa tão tosca de ser engraçada que teve de mudar a arte horas depois.

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Atualização: O Irã venceu o Líbano por 4 x 0 e, na última rodada, pode empatar com a Coreia do Sul desde que o Uzbequistão não goleie o Catar. Se o jogo foi usado politicamente, saberemos nos próximos dias.

Torcedores do Irã durante amistoso contra a Alemanha no Azadi, em 2004. Foto: Amirreza / WIkimedia Commons

Torcedores do Irã durante amistoso contra a Alemanha no Azadi, em 2004

Nesta terça-feira, a seleção do Irã recebe o Líbano no estádio Azadi, em Teerã, para um jogo decisivo das eliminatórias da Copa do Mundo de 2014. Se vencer, o Irã mantém vivas as esperanças de disputar o mundial do Brasil, o que será definido apenas no dia 18, em partida diante da Coreia do Sul, em Ulsan.

O jogo desta semana envolve não apenas o esporte, mas, como costuma acontecer no país, a política. Na sexta-feira 14, os iranianos vão às urnas eleger o sucessor do presidente Mahmoud Ahmadinejad, num pleito que, inevitavelmente, colocará no poder um dos candidatos apoiados por Ali Khamenei, o líder supremo do Irã.

O grande temor do regime nesta semana é a repetição de evento ocorrido em 2009, quando o Team Melli (a seleção nacional) se tornou símbolo da oposição. Em junho daquele ano, em jogo diante da Coreia do Sul pelas eliminatórias da Copa de 2010, seis jogadores iranianos entraram em campo usando pulseiras verdes, um claro ato de solidariedade com o Movimento Verde, criado para protestar contra as irregularidades na reeleição de Ahmadinejad.

O Movimento Verde está politicamente morto, diante da repressão que sofreu pós-2009. Suas ideias, no entanto, continuam existindo. Como conta Bijan Khajehpour no site Al-Monitor, há rumores de que torcedores poderiam entoar nesta terça o cântico “Esqueçam Gaza e o Líbano e prestem atenção ao Irã“, um dos usados pelos verdes cinco anos atrás. Ainda segundo Khajehpour, alguns dos jogadores da seleção visitaram Hassan Khomeini, neto do aiatolá Ruhollah Khomeini (líder da Revolução Iraniana de 1979) e hoje um apoiador dos reformistas – corrente política dissidente do governo iraniano, mas relativamente aceita como oposição pelo regime.

O medo que o regime iraniano tem do futebol deriva do medo que sente de sua própria população. O povo iraniano é fanático pelo esporte, introduzido no país pela monarquia Pahlavi nos anos 1920 e capaz de abalar o equilíbrio de conservadorismo imposto pelos aiatolás. Conta Holly Dagres que, após a classificação para a Copa do Mundo de 1998, muitos torcedores, eufóricos, cometeram quebraram tabus: saíram bêbados às ruas, tocaram músicas banidas e, no caso das mulheres, retiraram os véus. Algumas delas chegaram a entrar no estádio Azadi durante o jogo, o que é proibido no Irã até hoje. Tudo isso teria ocorrido sob os olhares da “polícia moral” e com a participação de integrantes da Guarda Revolucionária, responsável por manter o regime de pé.

Em cabo diplomático dos Estados Unidos de 2009, revelado pelo WikiLeaks, diplomatas norte-americanos afirmam que, “como resultado da enorme base de fãs, o futebol se tornou altamente politizado no Irã” e o governo “está bem ciente do potencial de agitação doméstica que pode ocorrer em caso de um derrota – ou mesmo vitória – do Team Melli”.

Como solução para os “perigos” do futebol, o regime iraniano tem tentado cooptar o esporte. Conta também Bijan Khajehpour que, nos últimos anos, a Guarda Revolucionária tomou o controle de muitos clubes de futebol, como o Fajr e o Abu Muslem, e passou a compor a administração de alguns outros, como o Persepolis e o Tractorsazi, dois dos três times de maior torcida no Irã (o outro é o Esteghlal). A intenção é clara: conter os impactos do futebol e obter benefício político a partir da relação com os clubes.

Ao controlar o futebol, os aiatolás tentam conter a onda sísmica que tanto temem: aquela que fará os iranianos questionarem de forma aberta a maior contradição do país. Construído em contraposição à ditadura Pahlavi, o Irã revolucionário prometia liberdades e democracia. Em vez disso, sobressaiu uma outra característica que procurava distanciar o novo Irã do país que fora sob os Pahlavi: o anti-modernismo de cunho religioso, que para sobreviver precisa manter a população sob rígido controle, minando assim a democracia e a promessa de liberdade. O futebol, como muitos países já observaram, pode ser o estopim de manifestações sociais difíceis de controlar. Talvez não seja à toa que o nome persa do estádio de Teerã, Azadi, signifique liberdade.

Foto: Amirreza / WIkimedia Commons

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Sob reverência das mais de 15 mil pessoas que lotaram as dependências da quadra Philippe Chatrier, em Roland Garros, o espantoso Rafael Nadal marcou um novo ponto de inflexão na sua carreira: não joga mais para ser o melhor do seu tempo, mas para alcançar o posto de maior vencedor da história do tênis profissional.

Depois de uma temporada de oito meses no departamento médico, que poderia ter colocado um ponto final à sua brilhante carreira, o incansável espanhol mostrou que ainda é capaz de triunfar nos Grand Slam e alcançou o seu oitavo troféu em Paris e o 12º em majors.

Nadal agora empata em troféus de Grand Slam com o americano Roy Emerson, que foi o recordista até 2000, quando acabou superado  por Pete Sampras. Faltam, portanto, só mais dois degraus para que o Rei do Saibro não veja mais ninguém à sua frente. Com mais dois troféus  alcança Sampras; com mais cinco, se alinha ao eterno rival Roger Federer. Se é verdade que superar o suíço parece um desafio bastante complicado, deixar o norte-americano para trás é quase uma barbada.

Aos 27 anos (completados na última semana) e em grande forma, o espanhol parece ter apenas dois adversários capazes de barrar sua caminhada: a luta contra as contusões e o sérvio Novak Djokovic, que vem dominando o circuito e levando vantagem na maioria dos confrontos diretos com Nadal.

No entanto, o Rei do Saibro, que em nove aparições em Roland Garros só perdeu uma vez, tem tempo para disputar pelo menos mais cinco edições do Grand Slam francês, onde é praticamente imparável. Se mantiver sua supremacia neste período (o que não é exatamente fácil, nem para ele), alcançará Federer  sem precisar de novos triunfos no piso rápido, onde suas chances não são tão grandes.

Além disso, há outro fator ao seu lado. Não será surpresa se Djokovic em algum momento perder rendimento e abrir caminho nos outros majors. Afinal, o sérvio já está no topo do seu jogo há quase três anos e é natural que os tenistas oscilem de tempos em tempos, até por conta do desgaste físico brutal imposto pelo circuito.

Ainda jovem, Nadal ostenta um currículo acima de qualquer suspeita: é o maior vencedor da história de um único major; foi um dos sete a se sagrar campeão pelo menos uma vez em todos os Grand Slam; sentiu o gosto de ser número 1 do mundo; de beijar uma medalha de ouro olímpico; de dar ao seu País a Saladeira da Copa Davis; e de dominar no confronto direto o maior jogador da história.

Mas, mais do que isso, Rafa é protagonista de um enredo de muita superação – física, técnica e mental. Ao ver os médicos longe de uma solução para seu problema crônico no pé, chegou a pensar em trocar o tênis pelo golfe aos 19 anos, mas se recuperou de graves contusões (duas vezes) e voltou ao topo com um vigor físico raro. Com um jogo considerado excessivamente defensivo e insuficiente para as quadras rápidas, aprimorou seus golpes assustadoramente e passou a dominar seus antigos algozes. E mostrou porque é considerado o tenista com maior fortaleza mental em todos os tempos, ao superar o trauma da derrota dolorosa quando o primeiro título de Wimbledon esteve tão perto e dominar por duas vezes a grama sagrada de Londres.

Nadal, enfim, já é maior que o seu próprio tempo. E merece reverências que não cabem na quadra central de Roland Garros.

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Certamente foi com alívio que Muricy Ramalho tomou conhecimento, na última quarta-feira, dos pedidos da torcida do São Paulo pelo seu retorno ao clube.

Afinal, o Santos, que o demitiu dias antes, foi o sexto clube consecutivo do qual o treinador saiu sem deixar exatamente saudades.

Internacional, São Caetano, São Paulo, Palmeiras e Fluminense vieram antes do time praiano e foram palcos para o desenvolvimento de roteiros bem parecidos. Muricy entra em cena sob suspiros de admiração e sai provocando bocejos de enfado.

Se estivéssemos falando de um técnico comum, destinado a buscar sua vez na dança das cadeiras, este post sequer faria sentido. Mas como explicar esta sequência de desgastes no currículo do técnico mais vitorioso do Brasil nos últimos anos? À exceção do Palmeiras (onde o clima azedou antes do habitual), todos os times citados acima conquistaram títulos importantes sob o comando de Muricy.

Campeão brasileiro em 2006-07-08-10 e da Libertadores em 2011, o treinador peca por não ser uma pessoa simpática, afável. Está sempre passeando debaixo de nuvens carregadas, e este jeitão “funéreo” parece contagiar todo o ambiente.

Mas o maior foco do desgaste está dentro de campo. Seus times são eficientes e bem armados, mas seguem à risca um estilo de jogo burocrático e previsível. Com o tempo, ficam manjados pelos adversários e deixam torcedores e dirigentes descontentes. Este estilo já ganhou até um termo pejorativo: o “Muricybol”.

Por que então uma boa parte (será a maioria?) da torcida do São Paulo o quer de volta ao clube? Muricy passa mais confiança do que Ney Franco, isso é evidente. Estilo de jogo feio à parte, pode ser capaz de arrumar a defesa tricolor e criar algumas jogadas realmente efetivas para levar o time a somar resultados consistentes.

Mas arrisco a dizer que o principal motivo é emocional, subjetivo. Parte da torcida ainda crê no Muricy discípulo de Telê, alguém capaz de incorporar o espírito do “Mestre” e trazer de volta um São Paulo multicampeão e que ainda por cima encante.

A verdade é que Muricy precisa se reciclar para que seus próximos casamentos deem certo. É possível se tornar uma pessoa mais “light” sem abrir mão do “aqui é trabalho”. E é possível montar times sólidos com esquemas menos burocráticos e previsíveis.

Caso contrário, seus casamentos seguirão fazendo água até que não restem mais pretendentes. Ou que só restem candidatas bem menos atraentes e endinheiradas do que as atuais.

Foto: Divulgação Santos FC

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